[ leituras, reflexões, dia-a-dia, e algo mais ]

Publicado em Livros por usucapiao em Maio 20, 2009

[...] Trazeis convosco de bem doces dias

A saudosa lembrança. Sombras caras

Ressurgem numerosas; qual remota

Tradição vão volvendo

Primeiro amor, antigas amizades;

A memória cruel com dor recorda

A marcha errante que seguiu a vida,

E nobres peitos lembra, que, frustrados

Pela sorte de dias deleitosos, 

Antes de mim a marcha terminaram

Meus derradeiros cantos não escutam

Aqueles para quem cantei primeiro;

Dispersa jaz essa falange amiga,

E mudos, ai! os ecos despertados

Nesse tempo feliz. Minhas endeixas

Por entre turba incógnitca ressoam,

De quem o louvor mesmo me entristece;

Espalhados, errantes são no mundo

Os que meu canto amavam inda vivem.


Saudade, a que já estava desfeito,

Daqueles nobres, plácidos espíritos,

De mim se apossa, e qual eólia lira

Só vagos cantos o meu estro entoa;

Estremeço, de lágrimas banhado

Comovido se sente o peito austero;

Como que foge o que possuo agora,

Em presente o passado eis se converte


Goethe, in Fausto

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Em busca de harmonia

Publicado em Livros, Reflexão por usucapiao em Fevereiro 16, 2009

Aquele que nasceu com talento para algum talento, nele encontra sua mais bela existência! Não existe coisa alguma nesta terra sem dificuldade! Só o impulso interior, o amor e o desejo nos ajudam a superar os obstáculos, a abrir caminhos e a elevar-nos acima do estreito círculo onde outros miseravelmente se debatem! [...] Não sentes esse todo arder coeso, que só o espírito descobre, concebe e realiza; não sentes que lateja nos homens uma centelha melhor que, não encontrando alento nem ânimo, é soterrada pelas cinzas das necessidades quotidianas e da indiferença, e, ainda assim, por mais tarde que seja, nunca é abafada. Não sentes em tua alma força alguma para avivá-la, nem em teu coração a riqueza necessária para alimentar aquilo que despertaste. [...] e não há também homens que, privados de tal forma do sentimento da vida, chegam a considerar toda a vida e a própria natureza dos mortais um nada, uma existência atormentada, semelhante ao pó?

Goethe, in Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister (Editora 34,Primeira Ediçãp, p. 68-69)

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