[ leituras, reflexões, dia-a-dia, e algo mais ]

A Grande Estrada

Posted in Livros, Reflexão by usucapiao on 12 de janeiro de 2009

Em algum lugar ao longo da estrada eu sabia que haveria garotas, visões e tudo o mais; na estrada, em algum lugar, a pérola me seria ofertada.( p. 28 )

Acordei com o sol rubro do fim de tarde; e aquele foi um momento marcante em minha vida, o mais bizarro de todos, quando não soube quem eu era – estava longe de casa, assombrado e fatigado pela viagem, num quarto de hotel barato que nunca vira antes, ouvindo o silvo das locomotivas, e o rangers das velhas madeiras do hotel, e passos ressoando no andar de cima, e todos aqueles sons melancólicos, eolhei para o teto rachado e por quinze estranhos segundos realmente não soube quem eu era. Não fiquei apavorado; eu simplesmente era uma outra pessoa, um estranho, e toda a minha existência era uma vida mal-assombrada, a vida de um fantasma.  ( p. 35 )

Os pisos das estações rodoviárias são exatamente iguais no país inteiro, sempre cobertos de baganas e catarros, e eles provocam uma melancolia profunda que só mesmo as rodoviárias poderiam ter. ( p. 57 )

Ela suspirava no escuro, “O que você espera da vida?”, perguntei, eu vivia perguntando isso às garotas.”Não sei”, respondeu. “Apenas servir as mesas e esperar que tudo dê certo”. Ela bocejou. Pus minha mão em sua boca e lhe disse que não bocejasse. Tentei explicar a ela o quão excitado eu estava pela vida e as coisas que poderíamos fazer juntos; dizendo isso, e pensando em deixar Denver dentro de dois dias. Ela se virou, entediada. Ficamos deitados de costas, olhando para o forro e refletindo sobre o que Deus deveria estar pensando quando fez a vida ser tão triste assim. ( p. 81 )

Aquela noite em Harrisburg tive de dormir num banco da estação ferroviária; ao amanhecer o chefe da estação me enxotou. Não é verdade que você começa a vida como uma criancinha crédula sob a proteção paterna? E então chega o dia da indiferença, em que o cara descobre que é um desgraçado, um miserável, fraco, cego e nu, e com a aparência de um fantasma fatigado e fatídico avança trêmulo por uma vida de pesadelo. Me arrastei para fora da estação, desfigurado. Estava fora de mim. Daquela manhã tudo o que eu podia perceber era sua própria palidez, como a palidez de um túmulo. ( p. 138-139 )

O anonimato no mundo dos homens é melhor do que a fama no céu, porque… o que é o céu, no fim das contas? E a terra, o que é? Tudo ilusório. ( p. 300 )

Há sempre uma estrada em qualquer lugar, para qualquer pessoa, em qualquer circunstância. ( p. 305 )

[…] e ninguém, ninguém sabe o que vai acontecer a qualquer pessoa, além dos desamparados andrajos da velhice… ( p. 372 )

Pé na Estrada (On The Road), Jack Kerouac, L&PM Editores

In Jack Kerouac, Pé na Estrada. Porto Alegre, L&PM, 2008. 1 edição.

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